Ethel Feldman

 — Rosa, Rosa! A revolução…

A campainha tocou e o meu pai abriu a porta ao nosso vizinho do 2º direito. Um abraço forte deu início a uma nova intimidade. Entre o 25 de Abril e o 1º Maio, as portas do 2º andar mantiveram-se abertas. A nossa casa cresceu.

No dia 11 de Setembro de 1973, o meu professor de geografia chorou em surdina a morte de Allende. Acredito que estava presente na memória  de cada um de nós o perigo. Todo o cuidado era pequeno.

Tive um avô ferroviário que teve 12 irmãos, a um deles o padrinho resolveu batizar com o mesmo nome do meu avô: José. No dia 1º Maio de 1974, o meu tio-avô,  apareceu em nossa casa com um cartaz de sua autoria onde se lia em letras garrafais: Fascismo Nunca Mais. Com um boné na cabeça quase igual ao do meu avô, fomos a pé para o estádio. Pelo caminho, vários foram os encontros com amigos que tínhamos deixado de ver, selados num abraço longo como quem grita: finalmente!

Nesse dia, o meu avô não se importou de ter um irmão com o mesmo nome que o seu. Há 40 anos, os Zés abraçados, soltaram a voz e gritaram: Liberdade!

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