Fernando Pereira

Quinta-feira, 25 de Abril 1974. Um dia que tinha tudo para ser como os outros, mas que para mim já era demasiado importante. Vesti o fato que os meus pais me ofereceram nos anos, pois tinha combinado encontrar-me nessa tarde com a minha namorada.

Sai cedo de casa, em Algés, e notei, de facto, que as coisas estavam estranhas na rua. Um ambiente diferente. Os comboios não iam tão cheios como habitualmente. Havia movimentações fora do comum, assim como as expressões das pessoas. E apercebi-me de que algo importante tinha realmente acontecido. Talvez algo há muito esperado.

Cheguei à escola, mas estava fechada, não havia aulas. Andei um pouco pela rua, ao longo do passeio, onde logo encontrei os meus colegas e companheiros inseparáveis das lutas estudantis contra o regime da ditadura. Iam acompanhados pelo professor Emílio Quesada, conhecido entre nós por ser militante do MRPP. Nesse dia e naquela hora, já ele nos dizia à boca cheia que o que se estava então a viver era uma revolução social-fascista, que tinha por trás pessoas como o Spínola e outras grandes figuras do poder militar. E que tudo aquilo era uma tentativa cosmética de “democratizar” o sistema e impedir a revolução da classe operária, a verdadeira revolução dos trabalhadores.

Independentemente dessa particular opinião, decidimos festejar alegremente aquele dia e tentar viver bem de perto o que realmente se estava a passar. E lá fomos todos, com muito alarido e entusiasmo para o centro da cidade, o coração dos grandes acontecimentos

Na Baixa, vivia-se um ambiente fantástico, absolutamente incrível. Não dava para passar para o Terreiro do Paço, estava completamente vedado por militares. Conseguimos então passar por trás do Município, vindos do Cais do Sodré, deslocando-nos até à esquina da Rua de S. Julião, no cruzamento com a Rua Nova do Almada e, aqui, junto às instalações que pertenciam ao Banco de Portugal, estava formado um grupo de atiradores, talvez um ou dois pelotões em posição de descanso. Eram cerca de 30 a 40 homens e, ao passar ali em frente, eles chamaram-me:

— Ó puto, chega aqui! A malta já aqui está desde madrugada sem nada para comer. Vocês não arranjam uma bucha aqui para o pessoal?!

Olhei para os meus colegas, para o relógio, já eram quase 11 horas da manhã. Perguntei-lhes quanto tinham no bolso, juntámos o dinheiro e fomos um pouco mais acima, na Rua Nova do Almada, à Casa das Limonadas, que vendia na altura todo o tipo de sandes, sumos e refrigerantes.

Lá nos embrulharam uma quantidade de sandes e levámo-las aos militares ao fundo da rua. Demos tudo o que o nosso dinheiro podia comprar e ainda muito mais Foi a primeira boa ação do dia em prol da tropa revoltosa.

Depois, eu e os meus amigos subimos pela Rua do Ouro, passámos por aquela incrível apoteose no Rossio: foi um momento verdadeiramente fascinante, comovente mesmo. O que estava ali a acontecer era algo tremendo. Havia homens, mulheres, jovens em delírio e a celebrar, gritando: Viva a liberdade!Lembro-me de uma senhora idosa, felicíssima, de lágrimas nos olhos, dizendo em alta voz que pensava já um dia morrer sem nunca assistir a algo assim, ao fim da ditadura Era uma alegria, uma emoção e acontecimentos de facto indescritíveis.

Então, subimos a Rua do Carmo, em direcção ao Chiado e deslocámo-nos até à Rua Nova da Trindade, onde tudo se começou um pouco a complicar.

Na zona de cima, estavam parados vários carros blindados e militares da GNR, com os capacetes, as espingardas e as baionetas, que então usavam, apontadas para o fundo da rua, e mais abaixo, pelotões do exército, com carros de combate e espingardas G3, apontadas para cima, no sentido contrário. No meio destes dois grupos de forças, em plena linha de fogo, estavam várias centenas de pessoas, gritando e festejando, o que impedia, perigosa mas felizmente, qualquer troca de tiros entre as forças militares, um consequente banho de sangue. Havia um grande alvoroço e, no ar, uma enorme tensão. Curiosamente, nesta altura, ainda não havia cravos; também não havia bandeiras que identificassem partidos, sindicatos ou outro qualquer tipo de organizações, havia apenas gente que gritava: Viva a liberdade! Abaixo o fascismo! Morte à PIDE!

Nisto, andava um sujeito que aparentava ter talvez uns 18 ou 19 anos, vestido com uma camisola branca de malha muito justinha ao corpo, umas calças à boca-de-sino e cintura alta, o cabelo bastante comprido, a circular pelo meio da multidão com uma enorme bandeira portuguesa. Havia outras, mas dificilmente se encontraria por ali uma assim tão grande. Juntámo-nos a esse grupo.

Descemos novamente até ao Chiado e entrámos na Rua António Maria Cardoso, sem perceber que nos estávamos a dirigir para a boca do lobo. Éramos cerca de 200 pessoas a descer a rua onde ficava a sede da PIDE-DGS. Quando chegámos à porta do Teatro São Luiz, já ali havia um grande alvoroço e confusão, com muito burburinho e toda a gente a gritar: Morte à PIDE! Liberdade!

Quando um primeiro grupo se aproximou mais do fim da rua, então a PIDE soltou um cão, um pastor alemão, que atacou prontamente os manifestantes. Foi rapidamente neutralizado com pontapés e paus que as pessoas levavam nas mãos.

No seguimento, os homens da PIDE, à paisana e vestidos com o seu tradicional fato e gravata, abrem as janelas, colocam em posição as metralhadoras e pistolas Walter e varrem a rua, num enorme tiroteio. Houve talvez pessoas mortas de imediato e muitas outras que ficaram feridas. Escondi-me inicialmente num recanto do prédio do Teatro S. Luís, um espaço onde só caberia uma pessoa, mas que tive de partilhar com outro homem, permanecendo imóveis até ao fim daquele tiroteio: a PIDE descarregava literalmente as munições sobre a rua e as pessoas… Os projéteis faziam ricochete, batiam em todo o lado. Foi algo que ainda durou alguns minutos sem parar, até que subitamente se fez um enorme silêncio.

Então, assistimos a um fenómeno curioso: com esta pausa, as pessoas iam saindo debaixo dos carros e de todos os lados onde se puderam proteger, e a rua ia se enchendo de novo. Mas foi aí que se reiniciou o tiroteio, a segunda grande rajada, muito maior que a primeira. Não sei quanto tempo durou de facto, mas a mim parecia-me uma eternidade. Eu, que já estava a correr, saído do recanto onde me escondera, desatei de novo à procura de um esconderijo. Pareceu-me ver a porta de um prédio aberta, mas não, tratava-se apenas de uma folga da fechadura numa porta em madeira já envelhecida. Tentei forçar a entrada, sem sucesso, e foi nesse preciso momento que senti uma bala atingir-me no braço direito. Tentava desesperadamente abrir aquela porta, os tiros passavam de rajada, sem defesa possível. Vi os buracos no casaco, senti o calor e a pressão do projétil na carne, o sangue a jorrar. Fiquei completamente sem reação, parado no passeio, em pé, em frente à porta, com os tiros ainda a serem disparados pela rua e a passarem à minha volta. Foi então que um colega meu, que estava deitado atrás de um carro, gritou para mim:

— Venâncio, deita-te! Deita-te, meu! Atira-te para o chão!!!

Ato contínuo, ele puxa-me para o chão, salvando-me literalmente a vida naquele momento. De imediato começámos a rastejar, até que conseguimos fugir rua abaixo para a Travessa dos Teatros, correndo de seguida pela escadaria da travessa, completamente doidos, com o meu braço a sangrar. Havia militares mais abaixo, junto ao gradeamento que dá para o Teatro São Carlos, e prontamente me socorreram. Chamaram de imediato uma ambulância militar que me levou, juntamente com outros feridos, ao Hospital Militar Principal, na Estrela. Encontrei então um amigo meu, vizinho de Algés, cujo pai era militar e, como ele tinha caído de mota e ficado maltratado, também se encontrava por ali nas urgências:

— Então, Venâncio, também tu por aqui? Que aconteceu, foste ferido?!

— Parece que sim, fui apanhado numa confusão com a PIDE…

— Grandessíssimos sacanas… Eu já fui atendido e ia agora para casa. Queres que diga aos teus pais que estás aqui?

— Não, deixa estar. Os tipos dizem que não me podem tratar aqui, porque não sou militar e isto hoje é complicado. Estou agora à espera que me levem para São José…

—  Ok. Não te preocupes. Eu aviso os teus pais e digo-lhes que vais para lá. Vai correr tudo bem. Olha Viva a Liberdade! — Disse-me, abrindo os braços para me dar um abraço.

Fui transferido numa ambulância da PSP para o Hospital de São José. Ali fui devidamente tratado, onde me radiografaram, examinaram e extraíram do braço o respectivo projétil alojado. Depois de todo este processo clínico, já de braço ao peito e receita médica na mão, preparava-me para sair do hospital e regressar a casa, quando sou de repente abordado por um homem que me puxa pelo braço esquerdo:

— Onde é que tu pensas que vais? — Perguntou bruscamente o homem.

  Para casa.  Respondi eu. — Fiquei ferido num tiroteio e vou agora ter com a minha família.

  Não vais, não.  Foi a resposta daquele sujeito de fato escuro, que de imediato se virou para um polícia que se encontrava ali à porta das urgências e disse:

 Arrecada-me aqui este, que eu já cá venho. — Tratava-se, afinal, de um inspetor da PIDE-DGS.

Depois de algumas horas “arrecadado” no próprio hospital de São José, dentro da esquadra que ficava nas urgências, vi chegar o meu pai, que tinha recebido a notícia do meu ferimento e que, andando à minha procura, foi ali, ao posto da PSP do hospital perguntar por mim. Chamei-o em voz alta mal o vi. Olhou para mim muito sério, reparou no meu braço ao peito e perguntou de imediato ao polícia:

 Esse rapaz é meu filho, é menor, tem 15 anos, logo não é responsável por nada. Sou eu o pai e eu é que tenho de responder pelos seus actos. Não posso ficar aqui também preso com ele e acompanhá-lo para onde for?

O agente da PSP respondeu que não, eu estava agora ali detido à ordem da DGS e teria de aguardar instruções para saber o que se iria passar dali para a frente. Algum tempo depois a ordem da polícia política chegou, seríamos levados para a esquadra da PSP na Praça da Alegria ou para o Governo Civil, uma vez que a sede da PIDE-DGS já estava cercada por militares do MFA. De seguida, eu e mais 3 pessoas feridas pela PIDE durante os acontecimentos, fomos levados para dentro de uma carrinha da polícia e ali ficámos “depositados”, esperando ser transportados ao destino final. O meu pai dirigiu-se ao agente que estava ao volante da carrinha e repetiu o discurso que tivera antes. Prontamente o agente lhe negou a pretensão, ao que o meu pai ripostou:

— Então e se eu, por exemplo, lhe der um murro, o senhor guarda não me leva também preso aí dentro?

O agente respondeu:

— O senhor tenha calma Nós hoje andamos todos de cabeça perdida, mas acho que não vale a pena arranjar problemas. Ou na esquadra da Alegria ou no Governo Civil, em um destes locais o vai encontrar… Ele é menor, de certeza que não vai acontecer nada de grave.

Seguimos então, algum tempo depois, para o Governo Civil. À chegada, o local estava infestado de polícias, gordos, barrigudos, de farda cinzenta e com os famosos capacetes de viseiras medonhas, escudos e bastões. Atravessámos o enorme pátio no interior no edifício. Parecia o metro em hora de ponta, apinhado de polícias. E à medida que íamos caminhando, algemados, eles abriam alas para que pudéssemos passar entre eles, enquanto ao mesmo tempo olhavam para nós com ar de que, se pudessem, nos comiam vivos ali. Insultavam-nos entre dentes, como cães raivosos. Fui revistado várias vezes e, quando foi efectuado o meu registo de detenção, o agente de serviço perguntou-me a idade. Eu respondi: 15; e ele, curiosamente, registou 16 anos. Reparei no erro e voltei a dizer que tinha feito 15 anos apenas no passado mês de Março, ao que o polícia me respondeu:

— Cala-te! Eu é que sei o que tenho de aqui pôr!

Mandaram-nos imediatamente para o calabouço, onde muito tempo depois nos foi trazida uma sopa de legumes manhosa, absolutamente intragável e onde ficámos interminavelmente à espera do que ia acontecer. Ali dentro, não tínhamos a menor noção do que se passava lá fora. Alguns agentes tinham um rádio ligado, muito ao fundo, mas mesmo assim não conseguíamos ter a percepção do que, de facto, acontecia na rua. A certa altura passou perto da minha cela, à conversa com outro agente, um graduado da polícia, de farda cinzenta, botas altas e pinguelim, provavelmente um alto oficial de cavalaria da PSP. Aproximei-me das grades, virei-me para ele com a receita médica na mão e disse-lhe:

 O senhor oficial desculpe… já aqui estou há algumas horas detido e tenho esta receita que preciso de tratar, por causa do meu braço.

Ele olhou para mim, de cima a baixo, e respondeu:

— Eu quero é que vocês todos se f!

Passado mais algum tempo, vieram 3 agentes da PIDE-DGS e mandaram-me chamar. Levaram-me para uma sala contígua, tiraram-me fotografias de frente e de lado com um número ao peito, registaram-me as impressões digitais de todos os dedos das mãos, revistaram-me uma vez mais e viram minuciosamente todos os meus cadernos da escola. De seguida sentaram-me numa cadeira, com uma luz de tecto, mesmo por cima da cabeça. Parecia autenticamente a cena de um filme sobre a Gestapo e o tempo do nazismo. A partir daí e durante mais de uma hora, procederam a um detalhado interrogatório, entre cada pergunta ou resposta, eu levava pancada.

Estava a ser questionado sobre tudo da minha vida, quem eram os meus pais, o que faziam, quem eram os meus amigos, porque estava no Chiado e o que lá fui fazer, porque razão não fiquei em casa, já que o próprio MFA aconselhava toda a gente a fazê-lo, porque fui para o meio da rua gritar “morte à PIDE”, “assassinos” e “liberdade”. Eu tentava escapar às questões e respondi que não tinha ido lá por qualquer razão especial, que só fui atrás dos outros por curiosidade e a cada resposta que dava, era de novo agredido. Entre estalos, socos e pontapés, dos 3 agentes ali presentes, quem me batia mais era o fotógrafo. Ou, pelo menos, aquele que trazia a máquina fotográfica.

Depois deste inferno, com mais ou menos nódoas negras para contar a história, fui recambiado para a cela e ali fiquei junto com os outros pela noite dentro, enquanto a vida toda corria lá fora.

Já pela madrugada, apareceu finalmente um militar de farda verde. Deu instruções aos agentes da polícia para nos retirarem da cela e levarem até ao oficial de dia. Quando chegámos à sua presença, era um oficial militar, ali colocado pelo MFA. Sentimos todos um imenso alívio, uma sensação de felicidade absolutamente indescritível.

O militar deu-nos um verdadeiro sermão por não termos seguido as indicações de ficar em casa, mas disse também que compreendia o nosso entusiasmo e curiosidade de jovens. Sublinhou que podíamos ter esperado pelo fim de tudo para ir então para a rua festejar, em segurança, e que tivemos afinal muita sorte em não termos morrido durante o tiroteio ou por qualquer outro motivo. Felizmente nada disso aconteceu e tudo correu sobre feição, indo ao encontro dos objetivos do MFA. Depois, virou-se especificamente para mim e disse-me que o meu pai já tinha ligado e deixado indicações para que, quando saísse do Governo Civil, apanhasse um táxi para casa. E foi o que fiz.

Na rua, chamei de imediato um táxi. Cheguei entretanto à Avenida dos Combatentes, em Algés, onde residia e onde, em plena madrugada do dia 26 de Abril de 1974, tive então pela primeira vez na vida uma ovação, com todos os vizinhos e amigos, na rua e às janelas, aplaudindo calorosamente. E eu não tinha feito nada de extraordinário. Era apenas um jovem, como outro qualquer, vivendo uma história diferente dentro da própria história. Foi a primeira vez que vi o meu nome escrito em todos os jornais, citando-me na lista de feridos no 25 de Abril. Algo bastante insólito. Entrei em casa, a minha mãe e toda a família, de tão preocupados, estavam agora felicíssimos de me ver, abraçando-me e beijando-me enquanto me dirigia para a sala, onde o meu pai se encontrava ouvindo as últimas notícias da televisão e fumando o seu cachimbo. Ele, mais do que ninguém, era nesse dia um homem felicíssimo, pois a “sua” tão esperada revolução tinha finalmente chegado e saído vitoriosa. Por outro lado, estava também profundamente triste por tudo o que nesse dia tinha acontecido comigo, com todas aquelas angustiantes preocupações que lhe havia causado. Fui dar-lhe um beijo e abracei-o em silêncio durante uns momentos. Então, ele virou-se para mim, olhou-me nos olhos e disse:

 A tua sorte é teres já um braço ao peito, porque senão quem to punha era euQuantas vezes te disse para não te meteres nestas coisas? Que és ainda muito novo? Podias ter morrido Mas vai comer e descansar… Amanhã é outro dia.

Assim fiz. E o amanhã foi outro dia.

Fernando Pereira, cantor.

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2 thoughts on “Fernando Pereira

  1. Graza

    Que grande testemunho Fernando Pereira. Foi de tal forma, que não sabendo que uma história destas aconteceu no 25 de Abril, ainda coloquei a questão de, no final do texto, o Fernando o desmontar como se tudo tivesse sido ficcionado. Foi de facto um absurdo o que lhe aconteceu, para além de lamentável. Eu, que fiz o texto que está a seguir ao seu, tive uma mãe que me impediu de sair para apanhar o comboio para Lisboa, coisa que ainda hoje lamento, mas também não sei não foi isso que permitiu estar a fazer hoje aqui este comentário. Parabéns.

    Responder
  2. Fernando Pereira

    Foi realmente, por todos os motivos, um dos dias mais extraordinários e felizes da minha vida. Talvez mesmo o mais incrível, sim, pela situação particular que vivi. O ferimento no tiroteio, confesso, foi traumatizante, mas as feridas maiores foram as que ficaram na alma, depois do interrogatório e espancamento às mãos daqueles pides. Nada contudo ofuscará alguma vez o brilho, a festa, a grande alegria de ver o meu amado país libertado. Essas portas jamais serão cerradas. Obrigado e um forte abraço 🙂

    Responder

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