Antonieta Maria dos Santos Mota Marques

Tinha dez anos e frequentava o 5º ano. Estava na Escola  antigo Ciclo Preparatório  e, durante uma das aulas, começaram a entrar pais para levarem os filhos consigo. Achei estranho porque notava-se algum alvoroço entre os adultos e percebia-se que a professora estava agitada. A certa altura entrou um elemento do Conselho Diretivo, falou qualquer coisa com a professora e, de seguida, disse-nos:
 Hoje não vão haver mais aulas. Todos vocês devem dirigir-se imediatamente para casa. Não parem para falar com ninguém e vão junto às paredes. Vão depressa para casa.

Lembro-me de ficar assustada e de cumprir direitinho as instruções.

Quando cheguei a casa, o meu pai, que trabalhava por turnos, estava a pé a ouvir notícias na rádio (a RTP só iniciava as emissões à tarde). Disse-lhe o que se tinha passado na Escola e perguntei-lhe o que tinha acontecido. Foi então que ele, chorando, me abraçou, me disse para não ter medo e me contou que tinha acontecido uma coisa muito boa: Portugal passava a ser, desde aquele dia, um País livre onde todos podiam dizer o que pensavam e sentiam.

O meu pai já faleceu. A ele devo toda a consciência política que tenho, bem como o melhor de mim. Lembro-me dele em muitas situações mas, a da manhã do 25 de Abril é uma das que nunca esquecerei.

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