Jorge Cancela

Vivia perto do Jornal de Notícias, no Porto. Tinha 11 anos. 

De manhã, 9h, na Escola Augusto Gil, na R. St.ª Catarina, foi-nos dito pelo director que devíamos voltar a casa, pois estava a começar uma revolução. Fiquei calmo. A maioria começou a gritar.

Em 5 minutos a pé, cheguei a casa. Só pela rua calma.

Em casa foram todos chegando e logo meus pais decidiram comprar um TV para ouvir as noticias. Lembro bem a minha mãe mostrar receio de ser uma revolta da extrema-direita. Mas as primeiras noticias não o confirmaram.

Lembro bem os comunicados do Fernando Balsinha e do Fialho Gouveia.  

Não senti medo. Não gostava da guerra colonial, da pobreza que via nas escolas, nas ruas, nos miúdos descalços, na fome que sabíamos que passavam. Não gostava dos senhores cinzentos que me pareciam maus e eram governantes. Hoje sinto mais emoção. Nesse dia foi uma mistura de novidade, uma sofreguidão de novas emoções.

51 anos, médico, hematologia clínica

Anúncios

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s